IGE 


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As aspirações específicas das ciências ocidentais, em sua razão de serem - formas de organizar o mundo e estabelecer a presença das institucionalidades - transcendem explicitamente a tarefa impossível da observação distante e da disposição epistemológica dos corpos como objetos, produzindo não só meros modelos de observação e sistematização de saberes mas de corpos, a partir de critérios explicitamente arbitrários na medida em que achatam as experiências “humanas” - no fim das contas ainda recorremos ao que a ciência tem de mais eurocêntrico e colonial, no duplo esforço de percorrer o caminho contrário e abolir o caminho como o conhecemos


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A sofisticação do modelo científico ocidental como ferramenta de manutenção da servilidade e da garantia da continuidade de uma produção de corpos reside em uma organização das importâncias em esquema cartesiano que desarticula narrativamente a relação do todo com as partes, o local e o global, o sujeito e o grupo, as ilhas de afinidades que, em última análise, sofrem uma influência - ou possuem uma qualidade inerente - a qual os projetos de poder total só podem tornar imperceptível através de estratégias de dominação dos sentidos, de formas complexas, ocultando-a ou explicitando, quando conveniente, suas dobras, voltas, revoluções e giros no  próprio eixo. Fundar formas de afinidade quantificáveis e controláveis é um dos sonhos mais antigos do mundo ocidental

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A globalização está posta como técnica de dominação complexa, articulada nas vias auto-reflexiva de imagem potente do sucesso humano sobre o complexo mundo-matéria-informação e estratégia geopolítica e informacional de produção de centros de poder inexoráveis, no que se permite compreender a tecnocracia como grande possibilitadora de uma cyber-colonialidade que estende os processos de classificação sistemática e estruturante - caros à modernidade colonial como a vimos surgir - e, portanto, divisão e organização hierárquica dos corpos, em uma paisagem informacional que obedece, na medida em que o processo colonial se atualiza, regras auto complexificantes


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A disposição complexa do conjunto informação-comunicação-linguagem progride, então


fala-canto-gesto-dança>escrita-registro-apresentação>>>>>>>>>>>imprensa-dispersão-reprodução>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>www-hyperlink>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>





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o que é novidade? o que não é novidade?


O que nós sabemos com os sentidos emancipados que não podemos saber através dos cânones da ciência moderna?


A hipermobilidade da imagem levada até às últimas consequências, ou seja, o exercício paulatino da hipermobilidade da imagem, possibilita a instituição de um regime ético, estético e político onde a verdade se confunde com a experiência do que é afirmado e justificado pela presença sentida quantificável; a paisagem informacional global se desdobra exponencialmente em proporção direta à evolução do micro armazenamento de dados


A saturação da paisagem informacional global é uma característica inerente desta?


Até onde repetidas dobras em si mesmas podem manter a integridade do que quer que se dobre? e se integridade material não for o suficiente? e se não se pode estabelecer os critérios de sua própria integridade?


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Pro que serve a inovação pela inovação, o agropop, a tensão internacional coreografada que dia após dia se instala como um clima, algo que a gente sabe lá no fundo do estômago mas que é difícil admitir pros pares e para si, um lugarzinho que se ocupa na grande ordem das coisas, ordem essa a qual jamais moveremos de fato; na equação moderna que produz o tempo a vida da gente não é nada além de um monte de narrativas convenientemente imbricadas pra amortizar a consciência da brutalidade com que somos forçades a realizar um projeto de mundo para o qual jamais assinamos contrato, logo o tempo correspondente não surge como o x de uma questão, mas como o resto de uma divisão cujo dividendo jamais poderia produzir resultados inteiros.


perto de chegar nos trinta o medo de ficar sem tempo tem sido meio que uma assombração, do tipo que dá raiva de ver porque é muito antiga e cansada, mas que se reinventa um pouco na mesmíssima medida em que eu própria me reinvento, descubro mais um pouco de mim, ou seja: se eu virar rápido demais em direção ao espelho ou se abrir a câmera frontal sem querer lá está ela, por um breve instante, os olhos em desvario, uma constante expressão de surpresa indignada e sumiu.


eu disse medo?
(risos ao fundo)


ela toca meu ombro

fala baixinho:
-se a gente der sorte

eu te ensino a ser por inteira





– Ige tem 28 anos e opera nos limites entre as mídias, sem limites, como forma articular em complexidade conceitos como ética, estética e política (em perspectiva subjetiva ou não). Concluinte de Design pela UFPE, produz pesquisa independente em epistemologia, ontologia, ética e estética e identidade


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